terça-feira, 8 de agosto de 2017

...

Eu te mostrei quem eu sou.
Te mostrei minhas cicatrizes internas e externas.
Meus medos.
Minhas inseguranças, minha irracionalidade diante de algumas situações, meus maiores defeitos.
Tudo de ruim que eu possuo.
Fui muito além de simplesmente te fazer admirar as minhas qualidades.
Contei das minhas crises de ansiedade que me faziam tremer na cama e bater os dentes, subitamente suando frio. E das crises que aconteceram nos momentos mais importunos, nas horas que menos esperava. 
Eu fui sincera e te disse que sentia medo de te ver partir...
Porque eu quis que você me conhecesse, com tudo que tenho, afinal, não somos só luz.
Somos todos feitos de luz e sombra. 
Quando eu te contei todas essas coisas, você me disse que a impressão que dava é que eu tava acreditando que você seria capaz de curar todas as minhas falhas. 
E me disse pra me acalmar e não sentir medo.
Não, Amor, eu não quero que você cure nada. Só quero que entenda que eu sou essa confusão de ansiedade e insegurança, 
incontrolável.
Você é capaz de me amar assim mesmo?

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Eu por mim

Daí você se defronta com o desamparo de seu íntimo. 
Então você enxerga coisas que estava imune a enxergar... como o grande abismo imune a discurso e a conduta daquele outro... a falta de respeito com a sua individualidade, o fechamento circular e vicioso no próprio eu.
O abismo de seu âmago intimo se projeta na sua circunstância, o vazio se torna exponencial e por conseguinte a solidão. Paulatinamente, o inferno e reflexivo, projetivo é como uma série de espelhos justapostos um rente ao outro.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Epifanias

De repente você se enxerga mas não se vê, não consegue se determinar sem ter que ser algo suficiente para outrem. Não há identidade, não há conclusões, não há profundidade. Ai percebe também a perdição em pessoas e sentimentos que já não deveriam fazer sentido, em rotinas vazias e dificuldade em interagir.
Mas eu, na minha humilde condição humana, acredito que é do jeito que deveria ser.
Não há o que questionar depois que torna presente, não há o que se preparar nem confortar. Por mais que haja um ensaio para a vida, o agora não permite arrependimentos, não permite, não permite muitas escolhas quando nos deparamos com as condições todas a mostra mas só uma esta a venda. Mesmo sabendo das opções o presente suporta apenas uma conclusão, uma evolução, só permite um meio para cada final.
É tudo muito abstrato.
Você não escolhe apesar de a todo instante acreditar que são escolhas... não há escolhas quando não se determina o futuro!
Não há razões tão certas quando não se pode determinar os resultados.
Se eu faço e da merda serei condicionada ao fardo de ser culpada por não ter feito a escolha "certa", se não faço e da merda também serei condicionada a culpa da mesma maneira. 
Não há fuga dessa reflexão, a todo instante meu ser é moldado a partir das minhas incapacidades, daquilo que não sou capaz de controlar e, então, simplesmente não exploro por medo de ser essa expressão desconhecida de mim.

terça-feira, 27 de junho de 2017

...

Você me tem na palma das suas mãos abertas. Mas não parece querer fechá-las.
Me dando uma liberdade extrema que me recuso a aceitar.
Me deixa com raiva e me faz querer sair correndo e fugir pra um lugar seguro onde não exista ciúme.
E sonhar com uma realidade utópica onde o medo de errar não exista. Me faz ter medo do futuro que eu desconheço e ao mesmo tempo adorá-lo porque inclui a sua existência. E roer as unhas, sorrir no ônibus escutando músicas aleatórias enquanto lembro da sua ultima piada sem graça.
Me faz, enfim, dar um jeito de eternizar lembranças que eu teimo em tentar esquecer.
E quando pareço calada demais é porque não sei mais como te dizer, com palavras novas que eu quero ser seu conforto. 
E mesmo assim, eu sinto raiva por não poder te ter aqui mais perto e meu coração reclama pela minha insistência e prazer de me atirar nos abismos mais profundos que encontro em mim mesma.
Os dias vão passando e passando e passando e eu fui me perdendo, e me perdendo entre as lembranças e sentimentos e esse turbilhão de coisas que se passam na minha cabeça todos os dias. 
E confesso, nunca gostei tanto de estar perdida...
E, honestamente, espero nunca mais ser encontrada.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Cacto

Quero ser cacto. Não quero estar no centro do jardim. Não quero elogios que rodopiam e saltam facilmente de qualquer boca. Não quero atenção diária. Assumo minha paixão em querer ficar em algum cantinho, por dias sozinho, sem a lembrança de ninguém pousando sobre mim. E quando esse ninguém se torna alguém, que seja então quem saiba compreender o por quê dos espinhos. Já passei dias demais sem água em minha raiz para que eu queira ser alguma coisa além do que isso. Vou é ser cacto na vida.


terça-feira, 23 de maio de 2017

Mais do mesmo...

Parafraseando Jout Jout no vídeo " Não tira o batom vermelho", digo que esse texto pode valer para amizades, familiares, colegas de trabalho e faculdade, relações amorosas entre pessoas do mesmo gênero, enfim, relacionamentos interpessoais. No entanto, por questões foco, a pauta aqui serão as minhas experiências  em relacionamentos com homens, ok?

Te horas que eu tento me manter firme e forte, focada em mim mesma, nas minhas rotinas e meus projetos, no meu processo de expansão de consciência, em ajudar ao próximo, enfim, em aprender a viver a vida de uma forma mais justa e coerente com o que eu tenho entendido que são valores importantes para mim. "Cuidando do meu jardim" como diz a sabedoria popular.
No entanto, não vou mentir, não sou de ferro. As mazelas da minha carência afetiva - e influência do meu sol em escorpião - vira e mexe batem à porta e começo a sentir falta de carinho, de dar um beijo gostoso, de ter uma transa fluída. Ao mesmo tempo, a dedicação que tenho investido em mim mesma e na minha saúde mental já me traz alguns frutos da autorreflexão.
Dia desses parei para prestar atenção numa relação casual que mantinha com um brother aí há algum tempo atrás e um aspecto dela me chamou atenção: toda vez que ele me encontrava, era nítido que ele sentia tesão por mim. Mas eu não. Diante disso, quis cortar a relação mas nunca soube direito qual explicação dar, pois, afinal, nunca tivemos nada sério e sempre foi tudo muito tranquilo entre nós. Nisso, recorri ao clássico método da ausência voluntária e dei uma sumida.
Mas ainda não estava satisfeita. Senti que essa atitude era bastante imatura e não condizia com quem eu queria ser ou estou tentando caminhar para ser. Resolvi, então, ser mais observadora dessa relação e um dia, quando nos encontramos novamente para que ele me entregasse alguma coisa que eu supostamente tinha esquecido, tive uma luz do que havia ocorrido.
Entendi que sempre houve algo estranho, mas nunca soube direito explicar o que era. Percebi que nossas conversas eram desbalanceadas. Notei que eu o instigava muito mais a falar de si do que ele a mim. Curiosa que sempre fui, pareço uma Marília Gabriela diante do outro. Pergunto, questiono, quero saber. Mas, ao mesmo tempo, entendi também que em minha vida poucas pessoas passaram por mim com a mesma postura.
A partir desse entendimento pontual, coloquei lente de aumento em outras relações e percebi uma espécie de padrão nos meus relacionamentos. Na maioria das vezes, saí desgastada e descrente do outro e me colocando num papel de vítima, culpabilizando o outro pela minha dor - postura essa que também trabalho para amenizar nessa minha vida atual vida como mulher. Essa percepção me fez entender uma faceta minha, que é a da vontade de intimidade.
Essa curiosidade pelo outro se transforma em desgaste de energia quando você não recebe essa mesma curiosidade de volta. Não digo que seja obrigação do outro de tê-la, mas perceber isso em mim jogou luz sobre diversas sombras que habitavam minhas relações. Entendi que não adianta de nada o outro estar interessado em mim, mas sequer perguntar como estou me sentindo, como foi o meu dia ou qual minha cor preferida. Ou perguntar só por perguntar, apenas para preencher um protocolo ritualístico para alcançar um objetivo maior. O meu tesão não habita a superficialidade. Não mais, não perto dos 30.
Compartilhei essa reflexão com um grupo de pessoas, e vi que muitas dessas pessoas se identificaram. Algumas, inclusive, enriqueceram essa reflexão dizendo que investir energia em quem não investe energia de volta gera um sentimento de rejeição muito ruim ou que não aguentam o Tinder por também desgostarem dessa dinâmica onde os homens falam de si e não perguntam quase nada sobre a mulher.
"Você gosta de mim por eu ser eu ou por eu ser uma mulher?" compartilhou outra, frase que encontrou anotada num caderno antigo.
Ampliando mais ainda o campo de visão dessa suposta lente de aumento, lembrei de um livro que li há pouco tempo, chamado "Porque até a morte terei fome" da escritora Patrícia Colmenero, cuja narrativa conta a história de uma mulher que terminou um relacionamento e sua trajetória emocional de superação desse episódio. 
Entre várias reflexões que esse livro me proporcionou, uma das mais marcantes foi a descrição do ex. Túlio era advogado e burocrata, ferozmente dedicado ao seu trabalho e pouco perceptivo da namorada, Patrícia, que trabalhava junto com ele num escritório.
Ela bem que tentou vestir a fantasia de burocrata, mas como era muito pequena, logo sentiu na pele os incômodos da roupa apertada. Seu sonho era ser escritora, mas se via presa na Matrix. A ruptura do relacionamento serviu para que pudesse refletir sobre as várias vendas que estavam atadas em seus olhos. Um dos trechos que mais me marcou nessa história foi o seguinte:

"Estou em casa escrevendo. Escrita-mecanismo-de-protesto e escrita-válvula-de-escape. Bifurco minhas emoções nesses dois tubos de palavras.
Toca o telefone. É ele.
- Oi, querido...
- Amor, terminei mais cedo aqui. Vamos ao cinema?
- Ixi, não posso! Estou com muito trabalho aqui...
- Como assim, trabalho? Que trabalho?
- Meu livro...
- Ah...
O silêncio fala mais que nós dois.
- Você não acha que nós poderíamos aproveitar essa noite de folga - rara - indo ao cinema?
Tenho vontade de lhe dizer que todas as minhas noites são de trabalho. São noites em que eu só faço o que ele quer. Se hoje fosse noite de folga eu escreveria. Mas não digo nada disso.
- Eu não sei...
- Vamos! Nós precisamos relaxar. Nós merecemos.
Queria que o entusiasmo dele fosse readaptado. Queria que a minha escrita pudesse provocar tais sentimentos nele para eu não ter de me sentir tão culpada por não aproveitar esse - raro - momento de animação de Túlio. (...) Mas não consigo dizer nada disso. "

Encontrei aqui a base estruturante da minha inquietação inicial que é a da mulher na posição de submissa e de servente maternal ao homem, uma das posições mais clássicas estipuladas pelo patriarcado.Essa pedra no sapato não é só minha, mas de muitas de nós. É ferida aberta do nosso feminino ancestral.
Fico feliz por ter tido esse entendimento, pois agora sinto que ganhei um pouco mais de liberdade na Matrix. Gostar de intimidade exige que eu busque por pessoas que também gostem dela e de maneira profunda, porque é assim que sou - ou estou.
Ainda tenho aprendido a lidar com as minhas carências, pois não é algo simples. Me disseram que talvez eu tenha internalizada a crença de que preciso ter alguém para me sentir plena. É bem provável que isso esteja em mim, afinal, são muitas coisas que habitam o inconsciente feminino coletivo e individual. Tenho trabalhado na expansão da minha consciência para ter mais liberdade e paz em ser uma mulher nesse mundo doido.
Cuidemo-nos!

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Coração de Elástico

Fique.
Talvez esse seja o pedido mais verdadeiro que eu possa te fazer hoje. Eu estou em um momento na minha vida, onde estou tentando compreender algumas questões emocionais. Eu já estive em ruínas, com o coração tão despedaçado que era difícil até de respirar, mas agora eu parei para olhar para dentro de mim. Estou tentando transbordar um pouco do que eu sou, para você ter o que amar, se caso fique.
Fique, se puder.
Estou com um naufrágio no peito, sem saber se isso é justo para alguém além de mim mesmo. Eu quero que você fique, pois isso me fará bem, apesar de eu não saber se eu te farei bem. (Sim, eu sei o quão egoísta e patético isso é). Eu estou procurando no fundo dos meus próprios motivos, esperando encontrar uma justificativa plausível para a sua permanência, que não seja preencher minha inexistência.
Fiqu,e, se amar.
Eu estou me sentindo tão desconfortável em quem eu sou, sem saber se meu amor existe e se ele ainda é o bastante... Não somente para você, mas para mim também. Acredite, eu já estive bem quebrada. Hoje eu estou engatinhando nisso de amar.
Fique, se quiser.
Fique, se não houver outro lugar em que você queira estar. Fique, mas sabendo que eu estou condenada a catar todos os dias meus antigos pedaços, em busca de me reconstruir.
Eu não vou te odiar por não ficar. Mas eu seria uma hipócrita se eu não te pedisse isso. Por isso, fique se puder.


Escrito por: Emanuel Hallef, adaptado por mim.